A fibromialgia é uma doença reumatológica que afeta 2,5% da população mundial (200 milhões de pessoas), e, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, é caracterizada por ser uma dor muscular generalizada e crônica. “O exercício físico é o padrão ‘ouro’ no tratamento da fibromialgia”, defende o fisioterapeuta Richard Alex Barbosa, da Clínica Golden Fisio, em Goiânia (GO).
O profissional explicou ao Jornal A Saúde, que essa condição clínica não se manifesta em uma idade específica, porém, geralmente acomete pessoas de 30 a 60 anos. “A dor da fibromialgia não tem uma causa específica, às vezes só de abraçar ou tocar uma pessoa nessa condição pode desencadear um ponto de dor”.
A dor, segundo Richard, é benéfica para as pessoas, pois alerta sobre riscos e perigos. Contudo, quem sofre com a doença possui um aumento nesse estímulo cerebral e qualquer toque pode ser interpretado como hostil ao corpo. Barbosa defende que atividades físicas têm o poder de alterar esses impulsos.

Fibromialgia provoca dor física e emocional
“Em muitos casos, essa doença se desenvolve após a pessoa sofrer algum abalo emocional. Pode iniciar com vários pontos dolorosos ou com dores que começam em um lugar e depois vão surgindo em outros pontos do corpo”, afirma o fisioterapeuta.
Por muitos anos a fibromialgia foi considerada uma doença psicológica, porém Barbosa ressalta que nem todos os pacientes possuem depressão. “Um acompanhamento psicológico também é fundamental para pessoas com essa condição clínica, porque além da dor, o paciente também pode apresentar irritabilidade, alteração de humor e acabar desenvolvendo depressão”.
Sobre os principais desafios enfrentados por pacientes que iniciam na fisioterapia, o profissional afirma que o mais frequente é a aderência ao exercício físico. Segundo ele, a maioria das pessoas com essa doença chegam à clínica descrentes. “O que eu mais escuto é pacientes dizendo que já tentaram de tudo, mas que a dor não ameniza. Conviver com dor é angustiante e isso desenvolve consequências emocionais. Trabalhar com essas pessoas é ser muito mais do que ser um fisioterapeuta, é ser um bom ouvinte e ter empatia”, diz Barbosa.
Fibromialgia e depressão
Questionado sobre as atividades físicas indicadas para quem sofre de fibromialgia, o fisioterapeuta recomenda que qualquer exercício é válido, desde que haja continuidade. “O importante é ter constância para que o corpo desenvolva resistência contra a dor, e assim o paciente tenha uma qualidade de vida melhor”.
Para pessoas com fibromialgia e depressão, Barbosa afirma que a combinação de dois exercícios é mais eficaz. “Alguns estudos mostram que a junção de atividades aeróbicas e exercícios de força trazem mais resultados para pacientes que já apresentam sintomas depressivos”.
Contudo, o profissional alerta sobre os riscos de se exercitar sem um acompanhamento. Segundo ele, pessoas com essa condição clínica podem sofrer um agravamento das dores caso realizem algum exercício sem a devida orientação. “Como o corpo dessa pessoa é sensível a qualquer estímulo, caso ela tenha um aumento de carga inadequado ou sofra algum impacto, pode resultar em mais dores e ela pode perder o interesse pelo exercício”, explica Barbosa.
Outro ponto destacado pelo profissional é a alta na fisioterapia. Para Barbosa, um paciente com fibromialgia precisa de um acompanhamento constante. “Assim que ele atinge o objetivo na fisioterapia, ele é encaminhado para um profissional de educação física para progredir com outros exercícios. Afinal, essa doença não tem cura”. (Texto e fotos: Marinalva Sampaio)
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