Ciúme: Quando deixa de ser comum e se torna um problema

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A Psicóloga Kênia de Freitas fala sobre o ciúme
Psicóloga Kênia de Freitas

O ciúme é uma emoção humana natural, presente em diferentes tipos de relacionamentos afetivos. Em doses equilibradas, pode sinalizar apego, cuidado e valorização do vínculo. Na nossa cultura, um pouco de ciúme é visto como algo positivo. No entanto, quando o ciúme se torna excessivo, irracional e incontrolável, ele pode se transformar em uma condição patológica, afetando seriamente a vida emocional, social e até física do indivíduo e de quem convive com ele, em alguns casos o ciúme patológico é precursor de violência física que compromete a vida. 

 

 

 

 

Tipos de ciúmes

  1. Ciúme normal ou reativo

Surge diante de ameaças reais ao relacionamento. É transitório, proporcional à situação e geralmente não compromete o funcionamento da pessoa.

  1. Ciúme exagerado ou inseguro

Aparece mesmo com pequenas ou inexistentes ameaças. É marcado por insegurança, baixa autoestima e necessidade constante de validação.

  1. Ciúme obsessivo ou patológico

É persistente, desproporcional e baseado em pensamentos irracionais. O indivíduo apresenta desconfiança extrema, vigilância constante e comportamentos compulsivos de controle. Pode configurar um transtorno mental.

Quando o ciúme se torna patológico?

O DSM-5-TR (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) não reconhece o ciúme patológico como um transtorno autônomo, mas ele pode ser um sintoma presente em outros quadros, como:

  • Transtorno delirante, tipo ciumento

Quando o indivíduo apresenta delírios persistentes de infidelidade do parceiro, sem base real e com prejuízo social e funcional.

  • Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC)

Quando o ciúme se manifesta em forma de obsessões e rituais, como checar compulsivamente o celular do parceiro ou seguir rotinas de verificação.

  • Transtornos de personalidade (especialmente o borderline e o paranoide), nos quais o ciúme excessivo pode surgir como manifestação da instabilidade emocional ou desconfiança.

Importante!

Caso haja um diagnóstico é importante lembrar que ele não tem o objetivo de rotular, de criar um estigma, mas é importante para nortear as condutas de tratamento tanto psicológico quanto psiquiátrico.

Como identificar comportamentos de ciúme intenso?

🔹 1. Vigilância constante

  • Verificar o celular, redes sociais, e-mails ou histórico de conversas do parceiro(a).
  • Exigir senhas ou acesso irrestrito à vida digital.

🔹 2. Desconfiança sem evidências

  • Suspeitas frequentes de traição ou mentiras, mesmo sem nenhum indício real.
  • Interpretação distorcida de situações neutras (ex: um elogio recebido vira motivo de briga).

🔹 3. Controle excessivo

  • Tentar decidir com quem o outro pode falar, sair ou trabalhar.
  • Questionar constantemente onde, com quem e por que esteve em determinado lugar.

🔹 4. Isolamento do parceiro

  • Tentar afastá-lo(a) de amigos, familiares ou colegas.
  • Fazer o outro se sentir culpado por socializar ou manter relações anteriores.

🔹 5. Crises de raiva ou ansiedade

  • Explosões emocionais diante de situações que envolvem ciúme.
  • Choro, agressividade, ameaças ou comportamentos impulsivos.

🔹 6. Comparações frequentes

  • Medir-se constantemente com ex-parceiros ou outras pessoas do convívio.
  • Sentimento de inadequação ou medo de ser trocado(a).

🔹 7. Testes e “armadilhas”

  • Criar situações para testar a fidelidade do parceiro, como perfis falsos ou perguntas manipulativas.

🔹 8. Baixa autoestima camuflada

  • Necessidade constante de reafirmação (“Você ainda me ama?”, “Você me acha bonita?”).
  • Sensação de não ser suficiente ou digno(a) do amor do outro.

Esses comportamentos, quando frequentes ou intensos, podem indicar ciúme patológico e gerar sofrimento para ambos os envolvidos. A longo prazo, comprometem a saúde emocional, a confiança e a liberdade na relação.

Consequências do ciúme patológico:

  • Prejuízo nos relacionamentos amorosos, familiares e sociais
  • Isolamento do parceiro (tentativas de controle, afastamento de amigos e familiares)
  • Comportamentos abusivos ou violência (verbal, emocional e física)
  • Ansiedade intensa, depressão e impulsividade
  • Risco aumentado de comportamentos autodestrutivos ou agressões ao outro.

Quando buscar ajuda?

Se o ciúme interfere na qualidade de vida, nas relações interpessoais ou gera sofrimento psíquico significativo, é importante buscar ajuda profissional. Psicoterapia, especialmente a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), pode auxiliar na identificação e reestruturação dos pensamentos disfuncionais relacionados ao ciúme. Em alguns casos, o uso de medicação psiquiátrica também pode ser necessário.

Como o corpo adoece e necessita de cuidados, o mesmo ocorre com a mente, ela também pode adoecer e necessitar de acompanhamento profissional.

Tem tratamento e ele é bastante funcional.

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Kênia Monteiro de Freitas é Psicóloga especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental – CRP 10/08055

WhatsApp: 91 98119-0033

Atendimento presencial em Belém e online para pessoas que estejam em outras cidades e países.

 

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