HPV: Ginecologista fala sobre como se prevenir contra o câncer do colo do útero

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*Dra. Hilomi Chaves, Ginecologista

Apesar de ser um tipo de câncer com altas chances de prevenção e cura, o câncer do colo do útero ainda provoca milhares de mortes todos os anos no País. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), 6.983 mulheres morreram em decorrência da doença em 2022, último ano com dados consolidados. A persistência desses números levanta preocupações sobre o acesso à prevenção, à vacinação contra o HPV (papilomavirus humano) e ao diagnóstico precoce.

O câncer do colo do útero é o terceiro tipo de tumor mais frequente na população feminina, atrás do câncer de mama e do colorretal. É também a quarta causa de morte de mulheres por câncer no Brasil, correspondendo a 6,05% do total. O Inca estima 17.010 novos casos para cada ano do triênio 2023-2025, o que representa uma taxa bruta de 15,38 ocorrências a cada 100 mil mulheres.

Para entender os fatores que contribuem para esse cenário e saber como reduzir os riscos, o Jornal A Saúde conversou com a médica ginecologista Hilomi Chaves, que atua na área de saúde da mulher e prevenção do câncer ginecológico.

“O HPV é um vírus transmissível via sexual e o principal causador do câncer de colo do útero. Mas esse vírus pode também causar outros problemas que não necessariamente o câncer. Pode causar verrugas genitais na mulher e lesões, como manchas pré-câncer e manchas que não são câncer e não vão virar câncer, manchas do colo do útero, manchas de vagina, manchas de vulva, que são lesões vulvares, lesões vaginais, cuja maioria é sexualmente transmissível”, explica a médica.

Transmissão

Segundo ela, o HPV é transmissível, na maior parte das vezes, “quase 100 por cento”, via relações sexuais. “Há alguns casos em que pode ser transmitido por via transplacentária. Ou seja, de mãe para filho durante a gravidez, durante o parto, mas isso é bem difícil.  Pode ser também transmissível pelo contato com objetos, mas isso é muito raro. Porém, é mais transmissível pela relação sexual desprotegida”, adverte.

A maior parte das pacientes que têm lesão de HPV não sente sintomas. A maioria é assintomática. Então, daí a importância de fazer o rastreamento mesmo sem sentir nada. Quando sente, a paciente pode ter sintoma que indica que o colo do útero deve ser investigado.

“Ela pode sentir sangramento na relação sexual, menstruações exageradas, menstruação com odor, embora nem toda menstruação com mau cheiro nem sempre indique que câncer. Então, em casos alterados assim é preciso ser examinada para poder ter o diagnóstico correto”, recomenda a ginecologista.

Exames

Os exames para detectar o HPV, são: o preventivo – o PCCU, a citologia do câncer do colo do útero, o teste do DNA do HPV e a colposcopia também, que é um exame para fazer a biópsia. Na citologia é coletado o material do colo do útero; o DNA do HPV, o teste do HPV, que é feito na secreção vaginal, que pode ser coletada no colo do útero ou da parede vaginal, pelo método de autocoleta, em que a própria paciente pode coletar; e a colposcopia, um exame de imagem, em que se jogam produtos no colo do útero, para verificar se tem manchas no colo do útero, na vagina ou na vulva.

“De acordo com o Ministério da Saúde, a Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) e da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia, todas as demais federações de ginecologia nacionais e mundiais estipulam que a idade para iniciar o rastreamento é após os 24 anos de idade. Mas existem as exceções”, informa Hilomi Chaves.

Essas exceções são quando a paciente tem vida sexual muito precoce, com múltiplos parceiros. “Aí não se pode nem se deve ser omisso e iniciar o rastreamento com a idade recomendada por esses organismos.  Então, podemos iniciar o rastreamento precocemente”.

Embora seja o principal causador HPV do câncer, nem sempre a presença desse vírus significa que a mulher vai ter câncer. Depende do estadiamento (processo de determinar a extensão da disseminação de um câncer no corpo de um paciente) da lesão que esse HPV está causando, porque ele causa mancha no colo do útero. E essa mancha pode evoluir ou pode desaparecer. “Então, nem todo HPV vira câncer”.

Tratamento precoce

“Não é toda mulher que tem HPV que vai ter câncer de colo do útero um dia, não. Depende muito da avaliação da colposcopia, de como a gente vai tratar as lesões, que podem ser tratadas precocemente, antes de virar câncer. Então, não necessariamente em todas vira câncer”, afirma a especialista.

Quanto à periodicidade do exame, isso depende do resultado do exame. “Se está alterado, se deu lesão de baixo grau ou de alto grau, a gente orienta a fazer de 6 em 6 meses durante dois anos, até que desapareça. Durante esses dois anos consecutivos, a gente acompanha semestralmente. Se os resultados forem negativos, se estiver tudo normal, a gente poder voltar de novo ao exame anual”.

O tratamento do câncer depende do que será verificado na colposcopia. “Se a paciente tem lesões de verrugas externas, elas têm de ser cauterizadas. Ou  pode ser feita a cauterização com bisturi elétrico, com laser, com ácido, pode aplicar remédio em cima. Isso nas lesões de vulva, de condiloma, de verrugas. Quanto às lesões de colo, são tratadas normalmente, dependendo do resultado da colposcopia”, detalha a ginecologista.

“Se for verificado que é a lesão de baixo grau,  não é necessário tratar, a princípio, se a paciente não tiver sintomas, se ela estiver bem, se não estiver sentindo nada,  só podemos acompanhar, porque ela vai sumir, deve sumir, em dois anos. Se não sumir, aí sim,  fazemos o tratamento. Quando é lesão de baixo grau, normalmente fazemos cauterização. Quando a lesão é de alto grau aí se deve retirar a mancha. É uma cirurgia que chamamos de EZT ou CAF, uma pequena cirurgia no colo tira lesão”, explica.

Não à automedicação

No caso de mulheres que sentem algum desconforto durante a relação sexual e, em vez de procurarem ajuda médica, apelam para a automedicação, a especialistas diz que isso deve ser evitado ao máximo. Pois toda automedicação tem consequências, que muitas vezes podem ser ruins.

“Muitas vezes, quando a paciente faz automedicação, isso pode mascarar os sintomas. Dá uma melhorada, esconde aquele sintoma e aí lá na frente acaba explodindo uma lesão maior. Então automedicação não é indicada. O certo é procurar um atendimento sempre”, aconselha a médica.

“O HPV pode atingir mulheres de todas as idades, mas, como é uma doença sexualmente transmissível está relacionada com a vida sexual ativa, finaliza Hilomi Chaves, com um alerta: “O homem pode ser, sem sentir sintomas, portador de HPV. Ele pode ter lesões minúsculas, microscópicas, que ninguém consegue enxergar, e pode transmitir para a parceira”.

 

*Dra. Hilomi Chaves

Instagram: @dra.hilomichaves

WhatsApp: (94) 99154-5656

 

Doutora Hilomi Chaves, ginecologista

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